| Um
dos destaques da chamada "Linha Verde"
que acompanha o litoral desde Mangaratiba (RJ)
até Santos (SP) passando pelos municípios praianos
de Mangaratiba, Angra dos Reis, Paraty, Ubatuba,
Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, Guarujá
e Santos é a Mata Tropical Úmida de Encosta mais
conhecida como Mata Atlântica. Sua maior incidência
ocorre na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira.
Sua existência decorre dos elevados índices de
precipitação pluviométrica provocados pelas nuvens
carregadas de umidade que se formam sobre o oceano
e se resfriam ao tentar transpor a serra precipitando-se
sobre a forma de constantes chuvas ou nevoeiros.
A constante umidade provoca o surgimento
de grandes formações arbóreas abaixo das quais
se formam árvores menores entre as quais palmeiras,
coqueiros, samambaias e outras formações arbustivas.
A extrema densidade vegetal impede a penetração
dos raios solares umedecendo o solo favorecendo
o desenvolvimento de fungos e bactérias responsáveis
pela transformação da matéria orgânica que são
absorvidos como nutrientes pelas raízes das árvores
realimentando o ecossistema.
Dentro desse contexto aparecem as epífitas - plantas
que utilizam troncos de árvores como suporte -
como as orquídeas, as bromélias, os líquens, os
musgos, as samambaias e as lianas, trepadeiras
que envolvem as árvores, tornando a mata fechada
e inibindo a ação predatória dos homem o que acaba
garantindo a sobrevivência do conjunto.
Contribui para tanto alguns animais e pássaros
que atuam como polinizadores e disseminadores
de sementes multiplicando e espacejando o número
de indivíduos de cada espécie vegetal algumas
raras e cobiçadas como o jacarandá, o guapuruvu,
o jequitibá, a peroba, a canela, o pau-brasil,
ipês, palmeiras e quaresmeiras, típicas da mata
pluvial tropical. Nela vivem bugios, onças, capivaras,
jaguatiricas, cotias, queixadas, lagartos além
de inúmeras aves como arapongas, jacus, macucos,
patos selvagens e maritacas.
A floresta perpetua os cursos d’água, conserva
o solo, minimiza a erosão dos ventos e das chuvas,
pereniza os lençóis de água subterrâneos criando
mananciais e nascentes onde nascem os rios que
descem as encostas drenando as baixadas litorâneas.
Por tudo isso o código Florestal, criado pela
Lei Federal 4771 de 15 de setembro de 1965 enfatiza
a necessidade de preservação permanente das florestas
situadas ao longo dos rios, nas nascentes, no
alto das elevações e nas encostas com declividade
superior a 45º.
O valioso acervo ecológico, biológico e ambiental
representado pela Mata Atlântica é objeto de múltiplas
ações preservacionistas a nível federal, estadual
e municipal como Parques Nacionais, Parques Estaduais,
Reservas Biológicas, Estações Ecológicas e Áreas
de Proteção Ambiental (APA) com destaque para
a região de Ubatuba do litoral norte de São Paulo
e da Costa Verde Fluminense. |